Universidade
de Brasília – UnB
Curso
de Especialização em Gestão Escolar
Disciplina:
Oficinas Tecnológicas
Unidade
1: Tecnologias e gestão escolar
Professor
coordenador: Pedro Ferreira de Andrade
Professora
tutora: Neide Lúcia Yunes Miziara
Cursista:
Jaqueline Correa Lustosa Machado
Período:
24/06 a 24/07/2013
Atividade
3: Fichamento
GESTÃO DE TECNOLOGIAS NA ESCOLA
Este texto faz parte da Biblioteca do
curso Gestão Escolar e Tecnologias e foi extraído do site
http://www.tvebrasil.com.br/salto - Boletim 2002 (acesso em 07/08/2004).
ALMEIDA, M. Gestão de tecnologias na
escola. Série “Tecnologia e Educação: Novos tempos, outros rumos” - Programa
Salto para o Futuro, Setembro, 2002.
Resumo:
Vivemos
em uma sociedade de informação e a educação não poderia estar à margem e por
isto temos as tecnologias a nosso favor e especificamente as TIC (Tecnologia de
Informação e Comunicação) e que teve seu início na educação para a
informatização de atividades meramente administrativas e para chegar ao aluno e
consequentemente na sua aprendizagem como atividades a mais em aulas em que se tinham
laboratórios ou projetos da escola. E assim o computador e a internet passaram
a serem utilizados de forma a contribuir ao acesso à informação e para a
promoção de comunidades colaborativas que levem a estabelecer relações com a
aprendizagem em uma troca mútua de experiências e saberes.
O
autor cita então que para a preparação do professor surge o Programa Nacional
de Tecnologia Educacional - Proinfo, executado no âmbito do Ministério da
Educação que visa a promover o uso pedagógico das tecnologias de informação e
comunicação nas redes públicas de educação básica. O Proinfo leva às escolas
computadores, recursos digitais e conteúdos educacionais. Em contrapartida,
estados, Distrito Federal e municípios devem garantir a estrutura adequada para
receber os laboratórios e capacitar os educadores para uso das máquinas e
tecnologias. E esta formação acontece de forma continuada e contextualizada com
a realidade da escola na qual o professor atua. Teve em seu projeto inicial a
formação de diretores e coordenadores na modalidade semipresencial em que se
contou com o trabalho de multiplicadores dos Núcleos de Tecnologia Educacional
(NTE’s) de cada regional de ensino.
Acredita-se
que o uso das TIC enquadra-se na visão atual da escola potencializando a
organização e planificação das atividades podendo rentabilizar as
aprendizagens, e para que isto ocorra se faz necessário que os professores como
membros de uma sociedade mais competitiva e em constante mutação se adaptem. E
este tipo de adaptação passa pela alteração do perfil profissional docente e
das suas atitudes e pela atualização de conhecimentos. E neste momento a
formação deste professor é de suma importância na obtenção de conhecimentos
para posterior utilização das TIC. Deve-se entender que esta formação não deve
se limitar apenas ao professor, mas aos dirigentes escolares e todos os seus
colaboradores. Assim sendo a utilização das TIC tem que ser considerado sobre
alguns pontos de vista: o pedagógico e o institucional em que o primeiro deve
observar os conteúdos de forma coerente e o segundo deve levar em consideração
que a instituição deve ser envolvida em que todas as questões têm que ser
colocadas de forma a garantir a sua integração.
E para a inserção das TIC nas escolas conta-se com
as redes colaborativas que são formas mais interativas e cooperadas, nas
quais alunos e professores estão engajados em tarefas comuns, mesmo que separados
espacial e em muitos casos também temporalmente. A aprendizagem colaborativa é
a base sobre a qual são propostas as tarefas, desafios e problemas a superar.
Um ambiente interativo fornece as ferramentas e recursos necessários para que
alunos e professores colaborem, somem forças e realizem as ações propostas.
Redes locais ou a própria internet servem de meio para as trocas comunicativas
entre os agentes da aprendizagem. E
a destas redes não é tanto a construção do arcabouço tecnológico de suporte a esse
tipo de redes, mas sim a constituição das relações humanas nesse ambiente, com
a mudança maior afetando a relação professor/aluno/conhecimento.
Citações
“Temos
que esquecer o futuro para poder ter o futuro, ou seja, não adianta preparar os
alunos para o amanhã que não se conhece, se o presente, por si mesmo, constitui
um grande desafio a ser superado” (Nóvoa, p.02).
“...
as TIC podem ser incorporadas na escola como suporte para: a comunicação entre
os educadores da escola, pais especialistas, membros da comunidade e de outras organizações;
a criação de um fluxo de informações e troca de experiências, que dê subsídios
para a tomada de decisões...” (p. 03).
“Em
um ambiente virtual de aprendizagem, cada pessoa tem oportunidade de percorrer
distintos caminhos, os nós e as conexões existentes entre informações, textos e
imagens; criar novas conexões, ligar contextos, mídias e recursos” (p.06).
“Anuncia-se
um novo tempo, cabendo a cada educador, seja gestor ou professor, participar de
processos de formação continuada e em serviços que criam a oportunidade de
formação de redes colaborativas de aprendizagem apoiadas em ambientes virtuais
para encontrar, no coletivo da escola, o caminho evolutivo mais condizente e
promissor de acordo com a identidade da escola e com o contexto em que se
encontra inserida” (p.10).
Comentários
A
escola como instituição que se preza pelo conhecimento sente-se muitas vezes
como um elástico, puxada de todos os lados, pressionada a agir pela mudança,
mas muitas vezes agarrada a uma lógica tradicional de atuação tentando manter o
equilíbrio (precário) e resistindo. Não pode continuar atrasada em relação às
grandes mudanças sociais operadas a um ritmo cada vez maior, sob pena de se
tornar obsoleta por não dar resposta aos múltiplos desafios e papéis dos tempos
atuais que se caracterizam pela profunda transformação tecnológica operada pela
rápida evolução e difusão de novas tecnologias, principalmente as associadas às
comunicações e aos computadores. Estas tecnologias têm a capacidade de alterar
a difusão das ideias e das formas de viver em sociedade, da forma de estudar,
do relacionamento entre pares e a forma de ocupar os tempos livres. Estas
potencialidades influenciam consequentemente a escola na sua forma de agir e de
se relacionar com a sociedade.
Os
alunos de hoje, ao terem acesso a múltiplas fontes de informação e comunicação
existentes em casa e/ou na escola, possuem competências e conhecimentos
distintos dos seus colegas da geração anterior, pelo que possuem uma cultura diferente,
vivendo ao mesmo tempo segundo novos valores e padrões sociais. Por isso mesmo,
a escola não pode viver desligada desta realidade, antes pelo contrário, deve
reconhecer o lugar que as TIC ocupam no dia-a-dia de todos nós e as
potencialidades educativas destas tecnologias. E a preparação da nova geração
desta sociedade moderna não pode ser feita usando instrumentos tecnológicos tão
ultrapassados.
A
introdução das TIC no ensino não se deve remeter a um simples estatuto de
substituição dos meios tradicionais (quadro negro ou manual escolar) ou do
professor, mas sim um agente l ativo de mudança, na forma como se aprende, como
se ensina e na interação entre atores na sala de aula (professor e alunos).
Já
a formação de todos os atores envolvidos no processo educacional aparece como
um fator que pode ser um incentivo ou um obstáculo à introdução das TIC na
escola. A falta de formação nesta área gera sentimentos de insegurança perante
os pares e os alunos, mas, por outro lado, possibilita aos docentes potenciar
as suas práticas pedagógicas quando possuem formação. A inovação pedagógica passa
obrigatoriamente pelos professores, uma vez que são estes os principais agentes
deste processo. Sendo assim, para que ocorram alterações atitudinais face às
TIC, os docentes necessitam de ter formação que se transforme em vantagens
visíveis na sua prática pedagógica. Outro fator que concorre para que a utilização
destas tecnologias se processe de forma natural está relacionado com a qualidade
de envolvimento dos docentes na formação. Durante a formação o docente não deve
adotar uma postura de consumidor passivo, mas, antes pelo contrário, deve
definir com o formador as suas necessidades e dificuldades e ter um papel ativo
durante as várias fases da formação.
E
esta formação deve ir de encontro às necessidades dos professores, dos seus
alunos e de todos da equipe gestora, tendo em conta que os meios tecnológicos
existentes na escola, deve ter uma aplicação prática nas atividades pedagógicas
e ser precursora de alterações nas situações de ensino/aprendizagem e técnico-administrativos.
Os meios tecnológicos não valem por si, mas antes pela forma como são
utilizados. É assim que uma forte aposta na formação contínua de qualidade é
considerada uma situação altamente promotora da utilização das TIC. A
iniciativa deve partir dos gestores para os professores em Conselho Pedagógico
ou Conselho de Docentes e posteriormente proposta aos Centros de Formação e por
todos os núcleos necessários.
Continua
a existir um defasamento, ainda que hoje em dia temporalmente menor, entre a
utilização social das tecnologias e a sua entrada na escola relativamente às
classes sociais mais desfavorecidas. Enquanto que as crianças das classes
sociais mais favorecidas têm um acesso facilitado em casa às mais recentes
tecnologias, as crianças de meios economicamente desfavorecidos encontram na
escola um local que reduz assimetrias sociais de acesso a estes meios. E no
nosso país ainda existe uma grande disparidade entre escolas quanto ao número
de computadores disponíveis por aluno. Enquanto numas existem menos de quinze
alunos por computador noutras eleva-se a mais de noventa, ao mesmo tempo que
uma utilização frequente (várias vezes por semana) é muito reduzida o mesmo se passa com a Internet. Ainda há
muito para se fazer em relação ao uso das TIC dentro das instituições de ensino
acredito, no entanto, que estamos (ainda que de forma lenta) no caminho certo.
Questionamentos
Até
que ponto a participação dos professores em ações de formação contínua de
qualidade teria implicações ao nível das atitudes e da utilização das TIC? E
qual o grau de obstáculos no uso das TIC nos laboratórios de informática após
investimentos nestas salas e formação (Proinfo) continuada dos professores? E
qual impacto da crescente melhoria da quantidade e qualidade de equipamento e
até que ponto essa melhoria das condições de equipamento se traduzem na
utilização das TIC?
Qual
a real pressão da sociedade que se manifesta sobre a escola também na
utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação?
Apesar
de estarmos no século XXI, à observação do quotidiano em muitas salas de aula
assemelha-se bastante ao de tempos mais remotos. Mesmo tendo em conta a
proliferação de média eletrônicos e métodos de ensino alternativos, o método
expositivo, verbalista mantém-se dominante, obrigando os alunos a tomar notas e
a ouvirem atentamente o professor. Se o professor ocupa o papel central nestes
modelos, qual será o papel do aluno no caso da utilização das TIC?
Os
modelos pedagógicos tradicionais, geralmente designados por modelos centrados
no professor, têm como objetivo principal a transferência de informação do
professor para o aluno, recorrendo à utilização de métodos expositivos.
Enquanto o aluno se comporta de forma passiva, o professor tem o controlo sobre
o processo de ensino e sobre o próprio ritmo de aprendizagem. Neste caso a
formação contínua em tecnologia poderia colaborar para este professor e esta
seria suficiente?
Se
fizermos uma introspecção, encontramos na nossa prática pedagógica, enquanto
professores, muito daquilo que aprendemos enquanto alunos, ou seja, os
professores reproduzem, na sua maneira de ensinar, a forma como foram
ensinados. Agora é só questionar e pensar no valor desta afirmação aplicada à
formação que todos os professores, de todos os níveis de ensino, deveriam ter
em TIC.
No
que diz respeito à formação a distância, a sua implementação assenta nas
tecnologias de difusão de massa. Como exemplo temos as emissões de difusão por
televisão que se apoiam num processo de comunicação de um para muitos,
atribuindo ao sujeito um papel passivo, comungando muitas semelhanças com os
métodos de formação tradicional. Esta formação à distância poderia colaborar na
utilização das TIC nas salas de aula?
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